se uma pessoa imagina uma criatura toda molenga, gosmenta, de cor verde-abacate, com um olho no meio da barriga... acho que a chamaria de monstro! Mas, talvez, essa pessoa batizasse seu monstrinho de "Tuluca". Então, além de ser um monstro, chama-se Tuluca. Mas o Tuluca existe? Que eu saiba não, porque eu mesma é que acabei de inventá-lo. Para mim, no entanto, passou a existir na minha imaginação, só que eu preciso dar um nome (monstro) para que as outras pessoas a quem eu contar isso consigam compreender do que eu falo. A mesma coisa acontece com outras criações humanas: fadas, elfos, gnomos. Existindo só na imaginação ou não, essas criaturas são conhecidas por seus nomes "genéricos" de fadas, elfos e gnomos. Cada um deles também pode ter um nome só seu, como Fada Azul, Elfo Grimmon, Gnomo dos Trevos.
Ah, mas não são só as coisas que se imaginam que levam nomes. As que são criadas, construídas, também têm nome, né? Tipo este notebook em que digito essas palavras. Ah! E as palavras! Elas são chamadas de palavras! Assim como a mesa, as cadeiras, o quarto. Tudo com nome. Algumas pessoas dão nomes particulares às coisas de que gostam, como o carro, por exemplo: "Meu fusquinha 74 se chama Marieta", conta um aficcionado por carros, todo contente. E esse cara que diz isso também tem um nome, assim como eu, como os vizinhos aqui do lado, como um estudante lá na China (e China é o nome de um país). Meus gatos têm nomes: Carmelo, Sebastian e Aquiles. E eles não deixam de ser gatos, que é o nome genérico de todas as criaturas de mesmo feitio que os meus. Ah! A minha cachorrinha tem o nome de Mia.
Há mais coisas com nomes! Os sentimentos, as sensações, as emoções também têm nome. A gente, ao sentir alguma coisa, tenta explicar para os outros de que se trata, nomeando. Por exemplo, posso dizer que sinto "saudade", que sinto "medo", que sinto "alegria". Essas palavras aí, saudade, medo e alegria, são os nomes dos sentimentos ou sensações. Até as doenças! A pessoa tem "gripe", tem "sarampo", tem "diarreia"... Isso são os nomes das doenças, não são?
As profissões! As profissões têm nome! Eu sou professora. O Pablo Vilela é revisor. A minha irmã é psicóloga e artesã. Ah, a pessoa que varre ali na frente, na rua, costumamos chamar de gari, embora eu não tenha certeza de que é esse o nome oficial da profissão. É mesmo... hmmm... as profissões também têm nomes.
Acho que é normal do ser humano tentar explicar todas as suas coisas (reais, imaginárias, emocionais, inventadas, tudo) a partir dos nomes que lhe dá. Pois muito bem, e daí????
E daí que tudo isso aí que tem nome, tudo o que o ser humano nomeia, de forma genérica ou particular, se chama SUBSTANTIVO! Vamos pensar um pouco sobre isso:
O ser humano tem a necessidade de dar nomes a tudo o que o rodeia, visível ou não, real ou imaginário. Tudo! Então, para que se pudesse compreender melhor o funcionamento desses nomes, eles foram (todos eles) categorizados sob o nome (mais um!) de substantivos.
Substantivo é uma das classes de palavras ou classes gramaticais. É uma das mais importantes, e num outro dia veremos melhor o porquê disso.
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Agora, vamos ver como funciona a classe gramatical dos substantivos. É uma historinha, certo? Aí está:
Vamos imaginar que a classe gramatical é uma sala. Na placa do lado de fora da porta está escrito: "somente substantivos". Aí, param do lado de fora umas palavrinhas que não sabem bem se são ou não são substantivos. Ficam lá, em dúvida, pensando. Até que uma delas resolve falar de si:
"Eu, meus amigos, funciono do seguinte modo: eu dou nome a um objeto, a caneta. Mas quando há mais de uma caneta, sem nenhum problema eu passo para o plural, e fico canetas. Eu digo caneta mas não é bem assim: às vezes, há umas canetas menores que as outras, e em outras vezes há umas muito maiores. Não me importo: se forem pequenas, eu mudo para ser canetinha. Se forem grandes, serei canetona (há quem diga canetão, e eu não me importo muito com isso). Em geral, dizem de mim coisas como A caneta, UMA caneta, AQUELA caneta. Acho que isso é muito importante! Também é importante confessar uma coisa, amigos: só existe A caneta, assim no feminino... Não existe O caneto..."
Aí, nesse momento, ela suspira de tanta tristeza por não poder ser, de vez em quando, um caneto.
Nesse exato momento, vem chegando um livro, todo cheio de si.
"Oi, livro!", dizem as palavras que ainda não sabem se entram ou não na classe.
"Oi. Realmente, sou um livro. Mas prefiro que me chamem de Gramática. Ou, até mesmo, pelo nome do meu autor, que é o senhor..."
Uma palavra o interrompe:
"Sabe nos dizer se podemos entrar ou não nessa classe aqui, Sr. Gramática?"
"É claro que sei! Mas antes, por favor, chame-me ou de Sr. Livro ou ou de Sra. Gramática, sim? Pois bem: aí nessa classe entrarão as palavras que, como eu, dão nome a alguma coisa. Dessas, para termos certeza, vamos ver se há aquelas que, como eu, podem ir para o diminutivo, para o aumentativo, para o plural."
Uma palavra disse:
"Ah, a Dona Caneta! Ela faz tudo isso!" (A caneta sorriu.)
"Muito bem!", disse o livro. E continuou: "Algumas de vocês, que são nomes, também podem variar em gênero."
"Como assim?", perguntam.
"Bom, meus queridos amigos tolos. Eu, como sendo um livro, serei sempre no masculino, porque não existo como 'uma livra'. Mas se me chamarem de Gramática, serei sempre no feminino. A não ser que vocês queiram falar do meu autor que, neste caso, é um homem, e sua profissão é de Gramático ou Linguista. Mas euzinha aqui sou só no feminino mesmo."
As palavras se entreolharam. Começavam a saber melhor quem poderia e quem não poderia entrar (estas teriam de ir à procura de uma outra classe onde pudessem entrar).
O livro prosseguiu:
"Alguma de vocês é um nome próprio?"
"Como? O quê?", perguntaram várias. Mas uma deu um passo à frente e disse:
"Sim! Eu sou. Eu sou a palavra Andréa!"
O livro sorriu: "Excelente! Você, palavra Andréa, é um nome próprio. Todas as pessoas do mundo que foram registradas com esse nome, ou com qualquer outro (claro!), podem dizer: meu nome é um substantivo próprio! Alguma outra?"
"Eu acho que sou... Sou a palavra Suécia".
"Excelente", disse o livro. "Sim, senhora. Trata-se de um nome próprio. Vocês, substantivos próprios, não terão a variação em gênero (porque se tornariam outro substantivo, relativo a outra pessoa), mas têm variação em grau (porque podem ser diminutivas ou aumentativas). Permite-se até o plural! Podemos dizer as Andréas do mundo... Então, todos os nomes próprios devem entrar nessa classe".
Várias palavras entraram, muito felizes. Havia nomes de bichos, de ruas, de cidades, de obras (livros, quadros, novelas), de pessoas, de prédios. Sobraram ainda algumas. A gramática continuou:
"Agora, de vocês, as que dão nomes a objetos, profissões, coisas pertencentes à natureza ou a criações humanas, partes do corpo humano ou de qualquer outro, coisas do céu e do espaço, qualquer coisa, afinal, que tenha nome, por favor, entrem também na sala".
Entraram muitas, agora. Eram palavras como árvore e flor, outras como polícia e farmacêutico, palavras como filme, gato, pedra, lapiseira, tomate, lâmpada, poste, braço, joelho, orelha, estrela, lua, nuvem. O sr. Livro disse ainda:
"Essas que entraram são substantivos concretos. Acho que vocês que ficaram são abstratos".
"Por quê?"
"Porque dão nomes a coisas abstratas, ora! Que pergunta!"
"Ah... eu acho que sei! Eu, por exemplo, sou a palavra alegria. Dou nome a uma sensação. E você aí, que é a palavra amor, também deve entrar comigo..."
"Ué, por quê? Eu não existo?"
Foi a palavra alegria quem respondeu, rindo:
"Claro que existe, amiga palavra! Você existe, sim! Mas o amor mesmo... Não sabemos. Há quem diga que o amor existe, outros dizem que não. Não nos importa isso, importa que você, a palavra amor, existe muito existente!"
Riram as duas, e todos os substantivos abstratos entraram. Ali, foram palavras como tristeza, cansaço, aptidão, ódio, liberdade, paixão...
A gramática entrou depois de todas elas. Todas já haviam se acomodado, e estavam conversando a valer. Parando diante de todas, a gramática falou:
"Faltou eu lhes dizer mais uma coisa. Algumas de nós aqui presentes podemos variar em gênero".
"Você já disse isso", protestou a palavra paixão.
"Disse, sua malcriada, mas não exemplifiquei. Vejamos ali a palavra louco."
"Eu? Que que foi?"
"Não foi nada! Vou usá-la como exemplo!"
A palavra exemplo levantou:
"Como assim? Eu estou aqui!"
"Sim, sim", disse a gramática, já impaciente. "Eu quis dizer que vou usá-la para dar um exemplo de como funcionam as flexões dos substantivos! É o seguinte, a palavra louco pode variar em gênero, número, grau. Gênero é masculino ou feminino, então pode ser louco ou louca, e são a mesma palavra, só com a variação. Em número, porque podemos dizer louco, loucos, louca, loucas. E em grau: louquinho, loucona."
"AAAAAAAAAAAAAhhhhhhhhhhhhh"
"Tem mais uma coisa importante: Alguma de vocês aí pode vir antecedida de uma palavra determinante? Um artigo (a, as, o, os, uma, umas, um, uns), um pronome possessivo (meu, minha, meus, minhas, teu, teus etc.), um numeral (dois, vinte etc.), um pronome demonstrativo (este, aquele, aquela, essas etc.)?"
"Eu posso!", disseram todas ao mesmo tempo.
"Então, está provado. Todas as palavras que aqui estão são mesmo substantivos!"
Felizes, as palavras aplaudiram e agradeceram a ajuda daquele livro, todo sério. Agora, estavam prontas para ser usadas nas frases! Realmente, foi um evento muito importante para aquelas palavras!

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Agora, observe que, ao longo de toda a postagem, há palavras que estão em itálico azul. Todas elas são exemplos de substantivos.
Os substantivos, portanto, podem variar em:
gênero: gato, gata.
número: gatos, gatas.
grau: gatinho, gatinha, gatão, gatona.
número: gatos, gatas.
grau: gatinho, gatinha, gatão, gatona.
Essas variações podem ocorrer simultaneamente: gatões, gatinhas.
Além dessas variações (flexões), os substantivos também pode ser antecedidos por uma palavra determinante, como um artigo ou algum pronome.
Então... é isso!
2 comentários:
Parabéns pelo post Andréa! Muito bom mesmo. Posso usar em uma apresentação ???
brigadoo
Site de merda viu, num tem nenhuma informação que presta nessa porra.
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