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Mais uma semana intensa se encerra: em torno de 130 profissionais de Letras se dedicaram quase que somente a corrigir as milhares de redações dos candidatos aos cursos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E foi, mais uma vez, um trabalho cansativo e, ao mesmo tempo, muito interessante.
Minha amiga Anna coletou alguns trechos e publicou em seu blogue. Eu, por minha vez, apresento apenas algumas reflexões que resultam desse tempo por lá e das muitas redações que li.
O tema deste CV foi muito simples: era preciso que o candidato avaliasse as razões do desprestígio da profissão de professor entre os jovens, utilizando (como ilustração) dados de tabelas apresentadas na proposta, e sugerindo maneiras de essa situação se modificar. Essas solicitações estavam explícitas e grifadas na proposta. Apesar da clareza da proposta, o que mais apareceu foram redações que versavam apenas sobre o estado de trabalho dos professores, de modo geral, sem relacioná-lo ao estado de desprestígio em relação aos jovens e sem usar os dados da tabela. Esses casos foram considerados como válidos, sem zerar por fuga, mas ficaram com notas muito baixas no quesito tema.
Essas redações não poderiam ser zeradas por fugir ao tema porque, embora não tenha conseguido explicitar a relação disso com a não escolha da profissão de professor pelos jovens, o vestibulando conseguiu mobilizar dados relacionados esse tipo de trabalho, apontando com criticidade alguns elementos, e isso foi recorrente. A recorrência de um "erro" faz com que a banca abra exceções para não penalizar mais do que aprovar os candidatos, e isso acontece com base numa amostra estudada entre o dia da redação e o início das correções. Entretanto, quem vai se preparar para os próximos vestibulares não deve, jamais, se preparar para escrever dentro das liberdades das possíveis exceções, pois nada garante que elas existirão a cada concurso. O candidato deve testar sua dissertação a partir daquilo o que for solicitado em um possível tema, abrangendo tudo o que esse tema solicitar e, ao mesmo tempo, demonstrando o que chamamos de investimento autoral.
O investimento autoral é uma das características mais raras, e dificilmente temos várias redações em um pacote (de redações) que tenham esse elemento no nível excelente. Isso é uma pena! Ao mesmo tempo, é possível compreender que não é muito simples para o vestibulando, em um momento de tensão de concurso, ser criativo e sair do lugar-comum. No entanto, acredito que isso também se deva por causa do que é ensinado em alguns cursinhos. A arcaica estrutura da dissertação (quatro parágrafos, início em "Nos dias de hoje"), que eu mesma já ensinei por aí (quando lecionava em um ou outro cursinho), é um facilitador para o vestibulando, pois ele sabe que está fazendo, estruturalmente, o que foi pedido. No entanto, é também limitadora, pois faz crer que é preciso utilizar esses elementos sempre - o que está longe de ser verdade.
Ora, ora... Acabo de me lembrar de uma redação que tive a oportunidade de ler (mas não corrigi): a candidata (sei que era uma garota porque falava de si mesma no feminino) escreveu umas 20 linhas a respeito da profissão de professor. Depois disso, desistiu. Passou a escrever pedidos de desculpas aos pais, dizendo que estava muito nervosa, que não ia conseguir continuar, que tentaria novamente no outro ano. Que pena! Se ela tivesse conseguido ficar calma por mais dez linhas!...
Falando em linhas: menos de 30 linhas escritas é zero. Não chegamos nem a ler. Que lástima!
Minha amiga Anna coletou alguns trechos e publicou em seu blogue. Eu, por minha vez, apresento apenas algumas reflexões que resultam desse tempo por lá e das muitas redações que li.
O tema deste CV foi muito simples: era preciso que o candidato avaliasse as razões do desprestígio da profissão de professor entre os jovens, utilizando (como ilustração) dados de tabelas apresentadas na proposta, e sugerindo maneiras de essa situação se modificar. Essas solicitações estavam explícitas e grifadas na proposta. Apesar da clareza da proposta, o que mais apareceu foram redações que versavam apenas sobre o estado de trabalho dos professores, de modo geral, sem relacioná-lo ao estado de desprestígio em relação aos jovens e sem usar os dados da tabela. Esses casos foram considerados como válidos, sem zerar por fuga, mas ficaram com notas muito baixas no quesito tema.
Essas redações não poderiam ser zeradas por fugir ao tema porque, embora não tenha conseguido explicitar a relação disso com a não escolha da profissão de professor pelos jovens, o vestibulando conseguiu mobilizar dados relacionados esse tipo de trabalho, apontando com criticidade alguns elementos, e isso foi recorrente. A recorrência de um "erro" faz com que a banca abra exceções para não penalizar mais do que aprovar os candidatos, e isso acontece com base numa amostra estudada entre o dia da redação e o início das correções. Entretanto, quem vai se preparar para os próximos vestibulares não deve, jamais, se preparar para escrever dentro das liberdades das possíveis exceções, pois nada garante que elas existirão a cada concurso. O candidato deve testar sua dissertação a partir daquilo o que for solicitado em um possível tema, abrangendo tudo o que esse tema solicitar e, ao mesmo tempo, demonstrando o que chamamos de investimento autoral.
O investimento autoral é uma das características mais raras, e dificilmente temos várias redações em um pacote (de redações) que tenham esse elemento no nível excelente. Isso é uma pena! Ao mesmo tempo, é possível compreender que não é muito simples para o vestibulando, em um momento de tensão de concurso, ser criativo e sair do lugar-comum. No entanto, acredito que isso também se deva por causa do que é ensinado em alguns cursinhos. A arcaica estrutura da dissertação (quatro parágrafos, início em "Nos dias de hoje"), que eu mesma já ensinei por aí (quando lecionava em um ou outro cursinho), é um facilitador para o vestibulando, pois ele sabe que está fazendo, estruturalmente, o que foi pedido. No entanto, é também limitadora, pois faz crer que é preciso utilizar esses elementos sempre - o que está longe de ser verdade.
Ora, ora... Acabo de me lembrar de uma redação que tive a oportunidade de ler (mas não corrigi): a candidata (sei que era uma garota porque falava de si mesma no feminino) escreveu umas 20 linhas a respeito da profissão de professor. Depois disso, desistiu. Passou a escrever pedidos de desculpas aos pais, dizendo que estava muito nervosa, que não ia conseguir continuar, que tentaria novamente no outro ano. Que pena! Se ela tivesse conseguido ficar calma por mais dez linhas!...
Falando em linhas: menos de 30 linhas escritas é zero. Não chegamos nem a ler. Que lástima!


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